mãe, você ainda sonha num quarto modesto no cachambi?
você ainda sonha com os moldes da revista de moda francesa
- e o cabelo à la garçon que só voce só voce usou
e eu
você e o verso que voce me ensinou
mãe, há coisas que eu vi
e que queria tanto ter lhe mostrado
tem coisas que eu sou que queria só, que você visse
pai, outro dia desconfiaram de mim disseram não, não existe praia de ramos
pai, como podem as pessoas viverem sem tuas histórias?
eu tenho um lavradio que só eu e você inventamos
na praia de ramos um dia existe meu pai dançando
existe meu pai que fez lá um acampamento
meu pai assim como no portão do quartel, do sorvete em deodoro, e eu perguntando pelo senhor, o sargento
pai,
mãe.
TODO O RIO DE JANEIRO ME DÓI PORQUE NÃO OS ENCONTRO.
pai, mãe
pai voce me levou para ver a mãe no hospital
e ela sempre lembrou -
eu estava com o vestido vestido ao contrário -
acho que você tinha pressa, pai, de ver o novo menino chegando
pai - eu estou sempre de vestido ao avesso
mãe, estou sempre segura ao mesmo verso
mesmo quando dói a mão mesmo que sangre ali onde o fio do verso corta fino o dedo
eu estou, como meu pai, dançando em
ramos
minha mãe recortando moldes,
e os cabelos,
exatamente como as atrizes francesas enquanto
...todo o rio de janeiro vai me recortando.
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