sem céu

minha janela que não tem céu, meus dedos sem anéis, meu teatro sem papel. sem saber mais onde ficou a chave do por dentro.

(não me esqueça quando pensar na chuva, quando passar na rua, quando pisar na lua. mas não me ame, lá sou quem se ame assim sem pasmo.. )

tu, lápis de cores, .. de que brisa teus cabelos rescendem que medos teu cenho franzido pressente que pele tua pele por debaixo geme querendo...?

em sonho acordada, o peso do teu braço vaga nas minhas costas.

(nas tuas costas, o tracejado de três pequenas sardas e uma cicatriz antiga. antiga como eu mesma sou, anciã que murmura um grito pela manhã, delibera entretanto à tarde e dorme sem memória – sem pares – sem céu, enquanto

nas tuas costas uma constelação).

na minha testa, rugas interrogam – deus? tu? eu? e mais trinta e três anos
na boca tranco do riso trinta e dois dentes
no olho, que há tempos, só três pontos

.... piscam por tua via lactea adentro.

Comentários

  1. Olha, fico bem feliz que eu tenha tido alguma participação no teu processo de aprendizagem. Parabéns pelos textos. E mesmo o da menina contém uma sabedoria poética muito legal :)

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