terça-feira, 29 de agosto de 2017

saudades


Na minha terra nova não tem tempestade. Há muitos meses não ouço o estrondo medonho de um trovão, nem pisca no céu um raio sequer por iluminação... mas como terra indecisa e provisória que é, para mim, sempre busco nela uns arco-íris, de suas intensas alternações entre chuvas macias e sóis rotundos.
Na minha terra nova sinto falta de uns perfumes, de gente que me abraçava. De uns sorrisos encontrados no meio da rua. De umas ruas.
Na minha terra nova falamos todos ainda a mesma língua mas era em outros idiomas que eu me comunicava... sou quase estrangeira, quase nada, pedra, parede, esperando meu dia de árvore ou flor em botão.
Sinto saudades dos risos que não dei quando era para ser alegre e eu imaginava farpas sob as unhas ou dolorosas dores de dente. Sinto saudades dos risos que dei para dentro de beijos ...seus. 
Na minha terra nova não tem beijos não tem ocê não tem sequer um anjinho de asa quebrada uma coisa assim singela pra me alimentar de ternura, faminta eu.
Sinto saudades de ver o dia nascer sem ter ido ainda para casa. Sinto saudades de ir para casa. Um bom lugar para voltar.
Na minha terra nova a casa é quase nunca, um respiro, um abraço... é quase sempre uma saudade só.
Na minha terra antiga eu trovejava, céu inteirinho. 
A minha terra nova me enche de claridades...

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